Christian Costa...
Peixe de água salgada emprestado pra cachoeira.
Surfista desde neném, agora morando em cidadezinha pequena na serra fluminense, virei bicho de montanhismo, canoagem e escalada. Não que uma (…)
Para aquelas pessoas mais acomodadas, felizes em suas zonas de conforto, a palavra "DESAFIO", é apenas mais uma. DESAFIO para essas pobres almas, é a dificuldade de sair dali para descobrir a vida de verdade. Fugir da rotina, descobrir que o improviso, nasce do imprevisível.
Para mim, DESAFIO é concorrer com outras oito mil pessoas, por um momento de felicidade, de virada na vida. Pelo Emprego dos Sonhos.
Estava eu, às sete horas da manhã de uma segunda feira nublada, escovando meus dentes, em um banheiro do Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. Tinha passado a noite em um ônibus que ia do Rio de Janeiro para a capital paulista, e não tinha conseguido ter uma hora de sono decente. Molhava o rosto pensando no que estava me esperando dali a alguns poucos quilômetros, no local onde eu iria conhecer meus seis atuais concorrentes, meus rivais . Pessoas mais desavisadas, diriam que os tais seis seriam meus maiores inimigos. Não fossem eles, além de muito merecedores por estarem ali, ainda vivos na corrida, algumas das pessoas mais "queridas" que conheci, e, em tão pouco tempo, receberiam de mim, o adjetivo de queridas.
Conhecendo um por um, no desenrolar do dia, passava, então, a enxergar naquelas pessoas, um pouco mais de mim mesmo. Estávamos ali, por um motivo em comum. Fomos selecionados a dedo por um grupo de pessoas exigentes, que estão atrás, nada mais, nada menos do que alguém que esteja a altura, para representar e defender as cores da bandeira de sua empresa. E me encontrar, dentro desse pequeno grupo, já faz com que eu me sinta um grande vencedor.
Porém, um sentimento de medo tomou conta de mim, ao cair essa ficha. Parar por ali, somente em ser vencedor por ter sido selecionado, poderia me deixar muito acomodado, em uma zona de conforto, mais ampla, é claro, do que a que eu me encontraria antes de entrar no processo seletivo, mas ainda assim, seria uma zona de conforto, onde eu ia assistir de longe, ao DESAFIO correr de um lado para o outro, procurando pelo seu dono da vez. Não rola. Eu quero é me levantar e ir atrás do desconhecido. Passar perrengue, improvisar, frente ao imprevisto, e no alto da montanha, gritar bem alto que EU VENCI. Cheguei ao topo, limpo, sem ter que passar por cima de ninguém, justo e com honras.
Seria mais do que maravilhoso compartilhar o mesmo sentimento com meus seis novos grandes amigos.
Porém, aí está um novo desconhecido. A idéia de não saber o que o futuro me reserva. Hoje consigo acreditar que além de merecedor, eu sou também mais um que se junta ao grupo das pessoas de sorte. Finalmente!
Caso eu caia por aqui, me levanto e sigo em frente. Triste é claro, mas vacinado, maduro, com a total certeza, de que o melhor ainda está por vir. Por outro lado, posso daqui há algum tempo estar escrevendo de um lugar novo, desconhecido, onde o DESAFIO está me esperando atrás de cada esquina, para domá-lo e ser seu novo dono. Só depende de mim mesmo. Foi assim até agora e vai ser até o final.
Levante-se e faça o mesmo. Se jogue contra o destino. O DESAFIO está solto. Cabe a você domar ou ser domado.
Christian Costa.
Fala galera, tudo bom?
Andando pela praçinha da cidade, que mais parecia uma cidade cenográfica de novelas da globo, com um coreto todo estiloso, jardins floridos e cercada de casinhas charmosas, cada uma de uma cor diferente, descobri que ali do lado, eu ia encontrar uma pousada para me acomodar, que caberia justamente no meu bolso. E eu fui super bem recebido pelos donos da pousada, que me levaram a um quartinho gostoso, com uma cama convidativa a bons sonhos. Gente hospitaleira essa. Me trouxeram cobertor e edredon, para terem a certeza de que o frio não iria me incomodar.
Ainda estava cedo e eu, morrendo de fome. Na pousada, me deram a dica de um restaurante bem legal onde servem uma pizza feita com massa de aipim, no forno a lenha. Uma delicia essa novidade.
Nessa época do ano, rola por aqui o Festival Gastronômico da Truta. Cada restaurante tem uma receita diferente para servir o peixe e seus molhos acompanhando. Molho de manga, maracujá, alcaparras, amêndoas, mostarda etc, etc. E no inverno, rola o Festival de Queijos e Vinhos. Dá até pra se imaginar com aquela pessoa especial em um restaurante bem romântico, a luz de velas, comendo um fondue e degustando um belo Cabernet. E para aqueles que não são fãs de vinho, a cidade tem produtores artesanais de cerveja, outra dica interessante.
Depois de uma ótima noite de sono tranquilo, me deparei com um farto café da manhã, regado a tudo que eu tinha direito. Parece que todos os tipos de pães estavam servidos alí, além de frutas diversas, bolos, iogurtes, sucos? eu fui muito paparicado nesse lugar heheheeheh, uma das razões pelas quais, definitivamente eu vou voltar.
Devidamente alimentado, decidi dar uma volta pela cidade e descobrir o que mais esse lugar poderia me oferecer. Conheci um pessoal bacana que tem uma operadora de turismo de Aventura. Impressionante o tanto de atividades esportivas que essa região esconde. Um dos serviços deles, é o Jeep Tour, onde o transporte pega o turista na pousada em que ele estiver hospedado e faz um passeio completo por todas as cachoeiras do lugar. E é uma mais bonita que a outra. Uma outra atividade interssante deles, é o arvorismo. Andar sobre as árvores altas, por pontes de cordas, tirolezas e rapel. Eles tem um pessoal muito bem treinado e equipado para não deixar o medo te impedir de praticar.
Eu confesso que fiquei apreensivo, mas depois que comecei a remar, não queria mais parar. É alucinante. Muito maneiro mesmo e eu sinceramente recomendo para todo mundo que estiver por aqui.
Eles, inclusive, me contaram que em noites de lua cheia, quando o céu está aberto e a lua está iluminando tudo, eles fazem essa descida a noite? imagina isso!!! Vou me preparar pra vir em uma época de lua cheia. Quero muito fazer de novo.
Iríamos passar a noite lá, e não fosse pelo saco de dormir que me emprestaram, eu não conseguiria, pois lá em cima venta muito e o frio parece ser dez vezes pior.
Voltamos para a cidade, almoçamos e me deixaram na pousada, onde eu tomei meu banho, peguei minhas coisas, e quase com lágrimas nos olhos pela despedida, agradeci demais aos meus anfitriões, donos da pousada. O mesmo fizera antes com o pessoal da equipe de aventuras, pelos momentos especiais que me proporcionaram.Para que o post abaixo faça algum sentido, desça até o primeiro post e leia a história de baixo pra cima.
Christian Costa
Amanhã vamos subir a Machu Picchu. De todas as imagens que já vi de lá, vídeos etc etc, sei que mais uma vez, vou ficar abestalhado de estar pisando em um lugar tão místico, repleto de poderes sobrenaturais e que esconde milhões, senão bilhões de histórias fantásticas a serem contadas. Mas tenho certeza também, de que as ruínas de amanhã serão apenas a cereja na ponta do bolo. Fica a dica pra quem tem tempo de sobra, mas quer vir de trem. Essa caminhada é fantástica. Seis dias de cansaço que valem a pena cada minuto.
Agora, mais descansado, no meu pequeno quarto de albergue em Aguas Calientes, ligo a TV, um canal peruano de esportes me dá a sensacional notícia de que o Mengão ganhou a final do primeiro turno do campeonato carioca, contra o Boa Vista. Pra completar essa jornada, é como música para os ouvidos ouvir a voz do locutor peeruano gritando: GOOOOOOOOOL DE RONALDÍÑO GAÚTCHO DEL FLAMEÍNGO!!!!
Vou comermorar numa pizzaria legal que ví na subida pro albergue... A PIZZA DA VITÓRIA.
Diário Ilustrado . Christian Costa
Aguas Calientes - Perú ::: 28.02.2011
Seis dias andando, com mochilas pesadas nas costas, subindo e descendo morro,atravessando pântanos de lama e barro. Rios volumosos, barrentos e barulhentos. Desfiladeiros que pareciam aqueles de desenho animado, onde o Coiote despencava lááááá do alto nas tentativas de agarrar o Papaléguas. Dormindo em barracas em cima da neve, celeiros, defumados pela fumaça das fogueira que nos alimentavam e ajudavam a amenizar o frio.
Quem ouve / lê isso pela primeira vez, acha que estou reclamando, aliviado por estar vivo e seguro no aconchego do meu lar. Nada disso. Estou cansado, mas abestalhado. Passei por cada lugar lindo, e vi coisas, cores, texturas sensacionais que uma foto, vídeo ou milhões de palavras não conseguiriam fazer justiça. Viajar é isso. Passar perrengue, frio, fome e cansaço pra conhecer um pouco mais sobre você mesmo. Cada destino te dá uma lição diferente na vida. Seja ela interna, espiritual, ou um simples aprendizado de como fazer um arroz com pouca água e em uma panela de pedra improvisada.
Tínhamos acabado de chegar ao nosso futuro quarto de albergue, depois de uma noite inteira de caminhada.
11 kms pra ser mais exato, por trilhos de trem. Na vrdade, os 11 kms pareciam fichinha perto dos 65 que vínhamos caminhando desde que saímos de Cuzco, Perú, em direção a trvessia do Nevado Salkantay.
Nosso atual paradeiro era uma cidadezinha simpática que fica aos pés da montanha que abriga as ruínas de Machu Picchu. Águas Calientes parece ser bem acolhedora e aconchegante. Estávamos exaustos. Afinal, vinhamos de uma caminhada de seis dias, passando por um monte nevado de 4.700mts de altitude, onde eu enfrentei além do frio eterno de uma mente sem lembranças, hipotermia e mal de altitude.
No passo mesmo, aos 4.700mts, ouvíamos por trás da neblina de chuva, um estrondo abafado que nosso guia jurava ser avalanche. Assustados, sim, mas nem o medo de morrer soterrado nos Andes, iria tirar a nossa alegria. Pessoalmente eu estava vendo neve pela primeira vez e, matando uma antiga vontade que era tirar uma foto pelado na paisagem branca.
Cheguei pra agarrar com unhas e dentes essa vaga.
vídeo defesa no ar, fotos e vídeos no perfil... agora tá nas mãos de deus.... e da equipe da STB.